A história
Depois de ter andado a cavalo, meu pai chegou em casa com um soluço que não parava. De dia e de noite.
Levaram ele para Cabixi. Não resolveu. Colorado. Não resolveu. Vilhena — quinze dias no hospital regional.
Tinha hospital. Tinha médico. Tinha leito. E não resolveram.
Mandaram ele de ambulância para outro estado. Me deixaram ver ele uma vez — e eu me despedi do meu pai achando que era a última.
Ele voltou, graças a Deus. E eu, criança, contava com orgulho que a ambulância foi a 130 por hora. Eu achava aquilo bonito. Hoje eu entendo: era um homem correndo porque nenhuma das quatro cidades tinha resolvido.
Naquele dia eu aprendi a lição que carrego até hoje:
A gente precisou do Estado, e ele não estava lá.
E o menino que precisou e não encontrou virou o homem que passou 30 anos fazendo o Estado chegar no cidadão.
Nesses 30 anos, eu aprendi exatamente ONDE as coisas param.